terça-feira, 18 de junho de 2024

INTERNACIONALIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO

 


 

A internacionalização da educação superior refere-se ao processo de incorporação de uma dimensão internacional, intercultural e global aos objetivos, ao ensino, à aprendizagem, à pesquisa e aos serviços de uma universidade ou de uma instituição de ensino superior (Knight, 2012).

No entanto, a internacionalização da educação permanece, ainda, como um tema complexo, muitas vezes percebido como uma atividade isolada ou um conjunto de ações  tais como a mobilidade e o intercâmbio de docentes e estudantes, mas que,  para além dessa compreensão, deve ser entendida sob outra perspectiva, conhecida como "internacionalização em casa", na qual ocorre a adaptação do currículo e de outras atividades académicas, sem que haja mobilidade de qualquer espécie.

A democratização da internacionalização da educação, afim de que cada vez mais estudantes possam ser inseridos nela,  encontra na tecnologia e nos meios digitais os grandes aliados para formatar ambientes propícios a trocas e incorporações de aspectos globais nas atividades acadêmicas.

Na educação superior, a utilização do termo internacionalização remonta a apenas duas décadas e envolve uma ampla série de atividades internacionais que não estão diretamente ligadas ao ensino superior, como por exemplo: estudo no exterior, aconselhamento de estudantes estrangeiros, intercâmbios, educação para o desenvolvimento e estudos de área (Barros, 2023).

Muito além de parcerias e técnicas pontuais, a internacionalização pedagógica da educação superior se refere a um processo contínuo do fazer docente, resultado de ações efetivas como viagens de estudos, projetos e investigação, diálogo entre pares, colaborações em docência, palestras, conferências entre outros.

Para Santos e Almeida Filho (2012), citado por Maués & Bastos (2017), a internacionalização é a quarta missão das universidades, somadas as já existentes, ensino, pesquisa e extensão, por promoverem a consolidação de espaços integrados do conhecimento.

Politicamente, a internacionalização contribui para o desenvolvimento da  formação de uma sociedade cada vez mais letrada cientificamente, com potencial para transformar a comunidade educacional em uma rede inclusiva, diversa e responsável. Programas de pesquisa e inovação, ampliados com a internacionalização capacitam as gerações atuais e futuras com as habilidades para enfrentarem os desafios globais (Okada, 2023, p. 38).

No entanto, alguns aspectos da internacionalização da educação merecem atenção para que não se torne um fim em si mesma. Frequentemente, a internacionalização tem sido instituída numa perspectiva de exclusão com viés elitista que precisa evoluir para uma maior participação por meio de cooperação aberta para todos. Ha que se tomar algumas medidas para fazer com que seja um benefício comum, melhorando a Educação, pesquisa e serviços para todas as redes institucionais participantes e não apenas benéfica ao pequeno grupo envolvido (Okada, 2023). Outro aspecto que merece atenção é a discrepância de avanços tecnológicos entre os países, como acesso à internet  e equipamentos de qualidade, essa infraestrutura deficitária pode comprometer o desenvolvimento de técnicas e propostas curriculares e metodológicas de internacionalização ou, ao menos, atrasar o processo.

Por fim, é importante refletir sobre quais competências são necessárias para que o professor seja capaz de trabalhar conteúdos e perspectivas internacionais, como desenvolver essas competências e qual a estratégia metodológica indicada para cada cenário.

 

 

Barros, D. M. V. (2023). Internacionalização Pedagógica em Contextos Digitais no Ensino Superior. In Barros, D. M. V. (Org.). Estilos pedagógicos de internacionalização no digital: da alfabetização ao ensino superior (pp. 20- 33). Lisboa: Universidade Aberta; Coimbra: Imprensa da Universidade de Coimbra. https://doi.org/10.34627/uab.ead.19.

Knight, Jane (2012). Concepts, Rationales and Interpretive Frameworks in the Internationalization of Higher Education. In The SAGE Handbook of International Higher Education, Los Angeles, California, SAGE Publication Inc., pp. 27-42.

Maués, C. M. & Bastos, R. S. (2017). Políticas de Internacinalização da Educação Superior: o contexto brasileiro. Educação (Porto Alegre), v. 40, n. 3, p. 333-342, set.-dez.

Okada, A. (2023). Internacionalização apoiada em quatro pilares: Educação Aberta, Pesquisa e Inovação Responsáveis, Ciência Aberta e Escolarização Aberta. In Barros, D. (Org.). Estilos pedagógicos de internacionalização no digital: da alfabetização ao ensino superior (pp. 57- 68). Lisboa: Universidade Aberta; Coimbra: Imprensa da Universidade de Coimbra. https://doi.org/10.34627/uab.ead.19.

 

 

sexta-feira, 10 de maio de 2024

DA BARSA À EDUCAÇÃO DIGITAL

 

            Houve um tempo, nem tão remoto, que quando precisávamos fazer uma pesquisa escolar ou acadêmica, recorríamos aos grandes volumes das enciclopédias Barsa ou Mirador. Bibliotecas imponentes com prateleiras cheias de livros ou mesmo aquela biblioteca simples da escola primária que, aos olhos dos pequenos se agigantava, se transformava em um mundo de conhecimento.  As aulas de geografia com mapas enormes pendurados nas paredes ou, com sorte, uma aula de biologia com o esqueleto “Chico” fazia brilhar os olhos de qualquer estudante curioso.

Isso tudo ficou pra trás com o advento da tecnologia e o avanço da transformação digital, ocorridas nas últimas décadas. As informações, antes escassas e restritas às enciclopédias e bibliotecas, foram se tornando cada vez mais acessíveis e abundantes. A internet hoje é o meio de comunicação mais ágil e poderoso que já existiu, é inegável o impacto que toda essa tecnologia causou (e ainda causa) nos processos educacionais e nas práticas pedagógicas.

Com isso, a internet passou a ser uma ferramenta vital para a criação de diversos ambientes de aprendizagem e novos paradigmas educacionais precisaram ser construídos.  Deixamos então aquele modelo de educação tradicional e passamos para um novo modelo: o da Educação Digital, que utiliza a tecnologia para facilitar e melhorar os processos educacionais. Dispositivos eletrônicos como celulares, computadores, tablets, internet, plataformas digitais, jogos, inteligência artificial, etc. passaram a fazer parte do dia a dia de professores e alunos.

No entanto, essa transição da Barsa para o smartfone não é tão simples, o acesso à tecnologia ainda não está disponível para todos de maneira igualitária, a sociedade ainda está se adaptando às novas tecnologias, o que exige trabalhadores com competências digitais para os novos formatos de organizações digitalizadas.

As competências e aptidões digitais são vitais para a manutenção da empregabilidade e da economia, portanto é necessária uma força tarefa orquestrada pelo Estado para que as instituições de ensino possam trabalhar nesse novo ecossistema digital, assim como os órgãos públicos e organizações privadas possam capacitar seus funcionários com as competências digitais necessárias.  

Nesse contexto, a União Europeia está promovendo um ecossistema educativo digital para melhorar as competências e capacidades dos cidadãos para a transição digital e, entre muitas ações, instituiu o Plano de Ação para a Educação Digital, que tem como objetivo principal apoiar a adaptação dos sistemas de ensino e formação dos Estados-Membros à era digital.

O plano europeu faz parte das ações da Comissão “Uma Europa preparada para a era digital” e propõe ações que contribuam para a concretização de um espaço europeu de educação com a utilização do conhecimento como base da recuperação e da prosperidade;  

O Brasil também está se preparando para essa transição digital e instituiu a Política Nacional de Educação Digital (PNED)*, fundamentada em quatro eixos: a inclusão digital da sociedade, educação digital nas escolas, ações de capacitação do mercado de trabalho e incentivo à inovação, pesquisa e desenvolvimento. A PNED precisou alterar a Lei de Diretrizes e Bases (LDB) da Educação, para inserir nos currículos dos anos iniciais o desenvolvimento de competências e habilidades digitais como um componente curricular transversal.

Para conhecer melhor o Plano de Ação para Educação Digital da EU e a Politica Nacional de Educação Digital, deixo algumas indicações de leitura neste blog, na página “Leituras Sugeridas” https://omundonaeducacao.blogspot.com/p/leituras-sugeridas.html

 

 

*Lei nº 14.533, de 11 de janeiro de 2023, Diário Oficial da União 22/01/2023, 202o da Independência e 135o da República - Institui a Política Nacional de Educação Digital.

 Plano de Ação para a Educação Digital (2021-2027), disponível em: https://education.ec.europa.eu/pt-pt/focus-topics/digital-education/action-plan

 


domingo, 28 de abril de 2024

ECOSSISTEMA DE EDUCAÇÃO DIGITAL – DO QUE SE TRATA?

 

A transformação digital tem impulsionado novas perspectivas sobre os ambientes educacionais. A triste experiência que o mundo passou com a pandemia Covid-19, acelerou ainda mais a necessidade de mudança e de atualização nos sistemas de ensino/aprendizagem a nível global.

É nesse cenário que Moreira, J. A & Horta, M. J. (2020) nos apresentam o Ecossistema de Educação Digital (EED) que consiste em diferentes ambientes complementares e interconectados de aprendizagem e não apenas nos espaços tradicionais a que estamos acostumados. Como exemplo desses ambientes, temos as instituições de ensino e suas estruturas físicas, plataformas de ensino online, aplicativos, professores, alunos, comunidades de aprendizagem, conteúdo digital, ferramentas de colaboração online que permitem a presença sem estar presente fisicamente e outras tantas possibilidades.

Um EED possui três dimensões: organizacional, pedagógica e tecnológica. A dimensão organizacional é fundamental na condução de uma mudança conjuntural para esse ecossistema educacional digital, tanto no aspecto estrutural, quanto no aspecto de apoio aos professores no desenvolvimento pedagógico de adaptação às novas tecnologias. A tríade organização, professores e tecnologia, viabiliza o novo modelo de educação em espaços, digamos “não tradicionais” em que se faz presente sem estar presente fisicamente. Nesse novo cenário a tecnologia e a inteligência artificial se tornam atores junto com os seres humanos para uma nova relação de ensino/aprendizagem.

Quer saber mais?  Acesse a página Leituras Sugeridas, aqui mesmo neste blog que indico uma apresentação em Webinar com o Prof. José Antônio Moreira, interessantíssima sobre o assunto.

 

Referência:

Moreira, J. A., & Horta, M. J. (2020). Educação e Ambientes híbridos de aprendizagem. Um processo de inovação sustentada. Revista UFG, v.20: e66027

 


sexta-feira, 26 de abril de 2024

Conectividade Significativa

 Um dos pilares do Ecossistema de Educação Digital é o acesso às habilidades e competências digitais das instituições e dos indivíduos.  Para promover uma conectividade significativa das pessoas e das organizações, é necessário avaliar relacionadas à qualidade do acesso, dispositivos disponíveis para uso e habilidades digitais.

Um estudo, publicado pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil – CGI.br, chamado Conectividade significativa: propostas para medição e o retrato da população no Brasil traz um verdadeiro retrato da conectividade no país, considerando dimensões territoriais, sociodemográficas e socioeconômicas, e aferindo a qualificação para o uso da Internet, bem como os tipos de atividades desenvolvidas na rede. O documento revela que, apesar de estar avançando em direção à universalização do acesso, o país ainda tem um longo caminho a percorrer para alcançar uma conectividade verdadeiramente significativa.

Recomendo a leitura do documento que pode ser encontrado no link:

https://cetic.br/pt/publicacao/conectividade-significativa-propostas-para-medicao-e-o-retrato-da-populacao-no-brasil/

quarta-feira, 10 de abril de 2024

Onde acontece a educação? - A visão da Unesco

 



Em um momento em que a humanidade está ameaçada pela fragilidade e limites do planeta, a educação se apresenta como uma tábua de salvação na preparação dos indivíduos para a construção de um futuro justo e sustentável.

Costuma-se pensar na educação como uma instituição especializada que trabalha a uma certa distância da família e da sociedade. É uma forma certa de pensar, pois ao longo do tempo, essa configuração foi útil e necessária para proteger o espaço e o tempo dedicado ao ensino e a aprendizagem coletivos. Foi nesse modelo que nós e grandes nomes da história da humanidade estudaram. Infelizmente essa educação não contemplou todos os indivíduos, ou pelo menos todas as crianças. Um estudo da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura – UNESCO[1], aponta que a baixa alfabetização afeta mais de setecentos milhões de pessoas em todo o mundo.

Na tentativa de corrigir esse déficit educacional, a UNESCO elaborou, por meio de uma consulta global a cerca de um milhão de pessoas, um relatório[2] com a proposta de “ convidar governos, instituições, organizações e cidadãos de todo o mundo a idealizar um novo contrato social para a educação, que nos ajude a construir futuros pacíficos, justos e sustentáveis para todos”. Assegurar a educação de qualidade para todos os habitantes do planeta só é possível por meio de ações coletivas, nesse contexto o relatório pode ser um ponto de partida com propostas, visões e princípios para o esforço conjunto.

Uma das perspectivas propostas no contrato social da Unesco foi a Educação em diferentes tempos e espaços com o objetivo de ampliar oportunidades educacionais que acontecem em diferentes espaços culturais e sociais. Tendo como princípio fundamental que a aprendizagem nunca acaba, a educação deve ser ampliada e fortalecida em todos os tempos e espaços ao longo da vida do indivíduo, onde tudo (a vida social, comunitária, trabalho, lazer, engajamento digital e midiático, etc.)  é oportunidade de aprendizagem.  

Não se trata aqui de abandonar o modelo da escola tradicional, pois esse espaço-tempo é único e necessário para a educação e formação do indivíduo, trata-se de ampliar a visão da educação em todos os espaços e momentos da vida. O desafio é envolver todos os atores necessários para esse esforço coletivo.  Para melhor entendimento, é importante destacar o papel dos Governos e dos Estados que, além de oferecer educação tradicional gratuita e de qualidade, devem garantir os direitos humanos fundamentais como água, saneamento, alimentação, nutrição, proteção, segurança e liberdade, com especial atenção aos excluídos e marginalizados, ou seja, a garantia dos direitos fundamentais contribuem para um ambiente de aprendizagem em muitos contextos. Já o mundo digital deve ser cuidadosamente administrado, oferecendo segurança e proteção aos dados pessoais e institucionais. As plataformas digitais permitem o acesso a um mundo de (in)formação. Indo além, podemos dizer que parques, ruas urbanas, estradas rurais, terras agrícolas, florestas, desertos, etc. também são espaços de aprendizagem em um planeta vivo, onde um estudante se vê frente a problemas comuns que demandam uma educação voltada para propósitos comuns.

Em suma, o relatório da Unesco nos faz refletir sobre a complexidade e amplitude dos espaços educacionais que vão muito além das paredes das instituições e se constituem num continuum ao longo de toda a vida do indivíduo e em todos os espaços ocupados por ele. Recomendo a leitura completa do Relatório para maior aprofundamento.

A consciência de que a educação acontece em uma infinidade de espaços e tempos nos permite uma melhor compreensão sobre a Educação OnLife, defendida por Schlemmer, E., & Moreira, J. A[3]

 

 

 

[1] Unesco. (2017). 758 milhões de adultos não sabem ler nem escrever frases simples. Disponível em https://brasil.un.org/pt-br/75776-unesco-758-milh%C3%B5es-de-adultos-n%C3%A3o-sabem-ler-nem-escrever-frases-simples

 [2] Unesco. (2022). Reimaginar nossos futuros juntos: um novo contrato social para a educação. – Brasília: Comissão Internacional sobre os Futuros da Educação, UNESCO; Boadilla del Monte: Fundación SM.

 [3] Schlemmer, E., & Moreira, J. A. (2020a). Por um novo conceito e paradigma de educação digital onlife. Revista Ufg, 20, 1-35.

Schlemmer, E., & Moreira, J. A. (2020b). Ampliando conceitos para o paradigma de educação digital OnLIFE. Revista Interacções, 16(55), 103-122.

 

terça-feira, 9 de abril de 2024

Mais que Ensino Híbrido, Educação OnLife

 

                                        

O mundo não é mais físico e visível, hoje somos um complexo conjunto de mundos inseparáveis, uma combinação de materiais e informações: um info-mundo. O ambiente em que vivemos deixou de ser físico e passou a ser um território informatizado, acessível a um toque, um mundo feito de dados e de elementos concretos que é capaz de multiplicar as suas formas.

Esse novo espaço de habitação trouxe alterações de paradigmas nas relações sociais, comerciais, mas principalmente no aspecto educacional, onde precisamos mudar (atualizar) o modo de pensar a educação no info-mundo, deixando a Educação Híbrida para um modelo de Educação OnLife.

Enquanto a Educação Híbrida se caracteriza como um método de ensino/aprendizagem que combina atividades offline (modo presencial tradicional) e a aprendizagem online com recursos digitais de uma forma complementar, a Educação OnLife vai além do dualismo presencial e online.

A Educação OnLife percebe a existência de territórios informacionais e comucacionais que alteram nossa percepção de tempo, espaço e presença, muito além dos espaços geográficos. Este modelo utiliza toda a tecnologia disponível incluindo os dispositivos móveis, como ferramentas de aprendizado e comunicação de forma imersiva possibilitando que os estudantes estejam fisicamente em um determinado lugar, podendo serem transportados para outros lugares ao mesmo tempo, aumentando significativamente seu aprendizado.  


Moreira, J. A. ., & Schlemmer, E. (2020). Por um novo conceito e paradigma de educação digital onlife. Revista UFG, 20(26). https://doi.org/10.5216/revufg.v20.63438

     * Foto de Aaron Burden na Unsplash


quinta-feira, 7 de março de 2024

Bem Vindos



Sejam todos bem-vindos ao canal "O Mundo na Educação".

 Este espaço foi criado para compartilhar assuntos relacionados à Educação no Mundo Globalizado, dicas de leitura e de reflexão, compartilhamento de experiências e aprendizado.