A internacionalização da
educação superior refere-se ao processo de incorporação de uma dimensão
internacional, intercultural e global aos objetivos, ao ensino, à aprendizagem,
à pesquisa e aos serviços de uma universidade ou de uma instituição de ensino
superior (Knight, 2012).
No entanto, a
internacionalização da educação permanece, ainda, como um tema complexo, muitas
vezes percebido como uma atividade isolada ou um conjunto de ações tais como a mobilidade e o intercâmbio de
docentes e estudantes, mas que, para
além dessa compreensão, deve ser entendida sob outra perspectiva, conhecida
como "internacionalização em casa", na qual ocorre a adaptação do
currículo e de outras atividades académicas, sem que haja mobilidade de
qualquer espécie.
A democratização da internacionalização da educação, afim de que cada vez
mais estudantes possam ser inseridos nela,
encontra na tecnologia e nos meios digitais os grandes aliados para
formatar ambientes propícios a trocas e incorporações de aspectos globais nas
atividades acadêmicas.
Na educação
superior, a utilização do termo
internacionalização remonta a apenas duas décadas e envolve uma ampla série de
atividades internacionais que não estão diretamente ligadas ao ensino superior,
como por exemplo: estudo no exterior, aconselhamento de estudantes
estrangeiros, intercâmbios, educação para o desenvolvimento e estudos de área
(Barros, 2023).
Muito além de
parcerias e técnicas pontuais, a internacionalização pedagógica da educação
superior se refere a um processo contínuo do fazer docente, resultado de ações
efetivas como viagens de estudos, projetos e investigação, diálogo entre pares,
colaborações em docência, palestras, conferências entre outros.
Para Santos e
Almeida Filho (2012), citado por Maués & Bastos (2017), a
internacionalização é a quarta missão das universidades, somadas as já
existentes, ensino, pesquisa e extensão, por promoverem a consolidação de
espaços integrados do conhecimento.
Politicamente, a
internacionalização contribui para o desenvolvimento da formação de uma sociedade cada vez mais
letrada cientificamente, com potencial para transformar a comunidade
educacional em uma rede inclusiva, diversa e responsável. Programas de pesquisa
e inovação, ampliados com a internacionalização capacitam as gerações atuais e
futuras com as habilidades para enfrentarem os desafios globais (Okada, 2023,
p. 38).
No entanto, alguns
aspectos da internacionalização da educação merecem atenção para que não se
torne um fim em si mesma. Frequentemente, a internacionalização tem sido
instituída numa perspectiva de exclusão com viés elitista que precisa evoluir
para uma maior participação por meio de cooperação aberta para todos. Ha que se
tomar algumas medidas para fazer com que seja um benefício comum, melhorando a
Educação, pesquisa e serviços para todas as redes institucionais participantes
e não apenas benéfica ao pequeno grupo envolvido (Okada, 2023). Outro aspecto
que merece atenção é a discrepância de avanços tecnológicos entre os países,
como acesso à internet e equipamentos de
qualidade, essa infraestrutura deficitária pode comprometer o desenvolvimento
de técnicas e propostas curriculares e metodológicas de internacionalização ou,
ao menos, atrasar o processo.
Por fim, é importante
refletir sobre quais competências são necessárias para que o professor seja
capaz de trabalhar conteúdos e perspectivas internacionais, como desenvolver
essas competências e qual a estratégia metodológica indicada para cada cenário.
Barros, D. M. V.
(2023). Internacionalização Pedagógica em Contextos Digitais no Ensino
Superior. In Barros, D. M. V. (Org.). Estilos pedagógicos de
internacionalização no digital: da alfabetização ao ensino superior (pp.
20- 33). Lisboa: Universidade Aberta; Coimbra: Imprensa da Universidade de
Coimbra. https://doi.org/10.34627/uab.ead.19.
Knight, Jane (2012). Concepts,
Rationales and Interpretive Frameworks in the Internationalization of Higher
Education. In The SAGE Handbook of International Higher Education, Los Angeles,
California, SAGE Publication Inc., pp. 27-42.
Maués, C. M. & Bastos, R. S. (2017). Políticas de
Internacinalização da Educação Superior: o contexto brasileiro. Educação (Porto
Alegre), v. 40, n. 3, p. 333-342, set.-dez.
Okada, A. (2023).
Internacionalização apoiada em quatro pilares: Educação Aberta, Pesquisa e
Inovação Responsáveis, Ciência Aberta e Escolarização Aberta. In Barros, D.
(Org.). Estilos pedagógicos de internacionalização no digital: da
alfabetização ao ensino superior (pp. 57- 68). Lisboa: Universidade
Aberta; Coimbra: Imprensa da Universidade de Coimbra. https://doi.org/10.34627/uab.ead.19.






