sexta-feira, 10 de maio de 2024

DA BARSA À EDUCAÇÃO DIGITAL

 

            Houve um tempo, nem tão remoto, que quando precisávamos fazer uma pesquisa escolar ou acadêmica, recorríamos aos grandes volumes das enciclopédias Barsa ou Mirador. Bibliotecas imponentes com prateleiras cheias de livros ou mesmo aquela biblioteca simples da escola primária que, aos olhos dos pequenos se agigantava, se transformava em um mundo de conhecimento.  As aulas de geografia com mapas enormes pendurados nas paredes ou, com sorte, uma aula de biologia com o esqueleto “Chico” fazia brilhar os olhos de qualquer estudante curioso.

Isso tudo ficou pra trás com o advento da tecnologia e o avanço da transformação digital, ocorridas nas últimas décadas. As informações, antes escassas e restritas às enciclopédias e bibliotecas, foram se tornando cada vez mais acessíveis e abundantes. A internet hoje é o meio de comunicação mais ágil e poderoso que já existiu, é inegável o impacto que toda essa tecnologia causou (e ainda causa) nos processos educacionais e nas práticas pedagógicas.

Com isso, a internet passou a ser uma ferramenta vital para a criação de diversos ambientes de aprendizagem e novos paradigmas educacionais precisaram ser construídos.  Deixamos então aquele modelo de educação tradicional e passamos para um novo modelo: o da Educação Digital, que utiliza a tecnologia para facilitar e melhorar os processos educacionais. Dispositivos eletrônicos como celulares, computadores, tablets, internet, plataformas digitais, jogos, inteligência artificial, etc. passaram a fazer parte do dia a dia de professores e alunos.

No entanto, essa transição da Barsa para o smartfone não é tão simples, o acesso à tecnologia ainda não está disponível para todos de maneira igualitária, a sociedade ainda está se adaptando às novas tecnologias, o que exige trabalhadores com competências digitais para os novos formatos de organizações digitalizadas.

As competências e aptidões digitais são vitais para a manutenção da empregabilidade e da economia, portanto é necessária uma força tarefa orquestrada pelo Estado para que as instituições de ensino possam trabalhar nesse novo ecossistema digital, assim como os órgãos públicos e organizações privadas possam capacitar seus funcionários com as competências digitais necessárias.  

Nesse contexto, a União Europeia está promovendo um ecossistema educativo digital para melhorar as competências e capacidades dos cidadãos para a transição digital e, entre muitas ações, instituiu o Plano de Ação para a Educação Digital, que tem como objetivo principal apoiar a adaptação dos sistemas de ensino e formação dos Estados-Membros à era digital.

O plano europeu faz parte das ações da Comissão “Uma Europa preparada para a era digital” e propõe ações que contribuam para a concretização de um espaço europeu de educação com a utilização do conhecimento como base da recuperação e da prosperidade;  

O Brasil também está se preparando para essa transição digital e instituiu a Política Nacional de Educação Digital (PNED)*, fundamentada em quatro eixos: a inclusão digital da sociedade, educação digital nas escolas, ações de capacitação do mercado de trabalho e incentivo à inovação, pesquisa e desenvolvimento. A PNED precisou alterar a Lei de Diretrizes e Bases (LDB) da Educação, para inserir nos currículos dos anos iniciais o desenvolvimento de competências e habilidades digitais como um componente curricular transversal.

Para conhecer melhor o Plano de Ação para Educação Digital da EU e a Politica Nacional de Educação Digital, deixo algumas indicações de leitura neste blog, na página “Leituras Sugeridas” https://omundonaeducacao.blogspot.com/p/leituras-sugeridas.html

 

 

*Lei nº 14.533, de 11 de janeiro de 2023, Diário Oficial da União 22/01/2023, 202o da Independência e 135o da República - Institui a Política Nacional de Educação Digital.

 Plano de Ação para a Educação Digital (2021-2027), disponível em: https://education.ec.europa.eu/pt-pt/focus-topics/digital-education/action-plan

 


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