quarta-feira, 10 de abril de 2024

Onde acontece a educação? - A visão da Unesco

 



Em um momento em que a humanidade está ameaçada pela fragilidade e limites do planeta, a educação se apresenta como uma tábua de salvação na preparação dos indivíduos para a construção de um futuro justo e sustentável.

Costuma-se pensar na educação como uma instituição especializada que trabalha a uma certa distância da família e da sociedade. É uma forma certa de pensar, pois ao longo do tempo, essa configuração foi útil e necessária para proteger o espaço e o tempo dedicado ao ensino e a aprendizagem coletivos. Foi nesse modelo que nós e grandes nomes da história da humanidade estudaram. Infelizmente essa educação não contemplou todos os indivíduos, ou pelo menos todas as crianças. Um estudo da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura – UNESCO[1], aponta que a baixa alfabetização afeta mais de setecentos milhões de pessoas em todo o mundo.

Na tentativa de corrigir esse déficit educacional, a UNESCO elaborou, por meio de uma consulta global a cerca de um milhão de pessoas, um relatório[2] com a proposta de “ convidar governos, instituições, organizações e cidadãos de todo o mundo a idealizar um novo contrato social para a educação, que nos ajude a construir futuros pacíficos, justos e sustentáveis para todos”. Assegurar a educação de qualidade para todos os habitantes do planeta só é possível por meio de ações coletivas, nesse contexto o relatório pode ser um ponto de partida com propostas, visões e princípios para o esforço conjunto.

Uma das perspectivas propostas no contrato social da Unesco foi a Educação em diferentes tempos e espaços com o objetivo de ampliar oportunidades educacionais que acontecem em diferentes espaços culturais e sociais. Tendo como princípio fundamental que a aprendizagem nunca acaba, a educação deve ser ampliada e fortalecida em todos os tempos e espaços ao longo da vida do indivíduo, onde tudo (a vida social, comunitária, trabalho, lazer, engajamento digital e midiático, etc.)  é oportunidade de aprendizagem.  

Não se trata aqui de abandonar o modelo da escola tradicional, pois esse espaço-tempo é único e necessário para a educação e formação do indivíduo, trata-se de ampliar a visão da educação em todos os espaços e momentos da vida. O desafio é envolver todos os atores necessários para esse esforço coletivo.  Para melhor entendimento, é importante destacar o papel dos Governos e dos Estados que, além de oferecer educação tradicional gratuita e de qualidade, devem garantir os direitos humanos fundamentais como água, saneamento, alimentação, nutrição, proteção, segurança e liberdade, com especial atenção aos excluídos e marginalizados, ou seja, a garantia dos direitos fundamentais contribuem para um ambiente de aprendizagem em muitos contextos. Já o mundo digital deve ser cuidadosamente administrado, oferecendo segurança e proteção aos dados pessoais e institucionais. As plataformas digitais permitem o acesso a um mundo de (in)formação. Indo além, podemos dizer que parques, ruas urbanas, estradas rurais, terras agrícolas, florestas, desertos, etc. também são espaços de aprendizagem em um planeta vivo, onde um estudante se vê frente a problemas comuns que demandam uma educação voltada para propósitos comuns.

Em suma, o relatório da Unesco nos faz refletir sobre a complexidade e amplitude dos espaços educacionais que vão muito além das paredes das instituições e se constituem num continuum ao longo de toda a vida do indivíduo e em todos os espaços ocupados por ele. Recomendo a leitura completa do Relatório para maior aprofundamento.

A consciência de que a educação acontece em uma infinidade de espaços e tempos nos permite uma melhor compreensão sobre a Educação OnLife, defendida por Schlemmer, E., & Moreira, J. A[3]

 

 

 

[1] Unesco. (2017). 758 milhões de adultos não sabem ler nem escrever frases simples. Disponível em https://brasil.un.org/pt-br/75776-unesco-758-milh%C3%B5es-de-adultos-n%C3%A3o-sabem-ler-nem-escrever-frases-simples

 [2] Unesco. (2022). Reimaginar nossos futuros juntos: um novo contrato social para a educação. – Brasília: Comissão Internacional sobre os Futuros da Educação, UNESCO; Boadilla del Monte: Fundación SM.

 [3] Schlemmer, E., & Moreira, J. A. (2020a). Por um novo conceito e paradigma de educação digital onlife. Revista Ufg, 20, 1-35.

Schlemmer, E., & Moreira, J. A. (2020b). Ampliando conceitos para o paradigma de educação digital OnLIFE. Revista Interacções, 16(55), 103-122.

 

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