domingo, 28 de abril de 2024

ECOSSISTEMA DE EDUCAÇÃO DIGITAL – DO QUE SE TRATA?

 

A transformação digital tem impulsionado novas perspectivas sobre os ambientes educacionais. A triste experiência que o mundo passou com a pandemia Covid-19, acelerou ainda mais a necessidade de mudança e de atualização nos sistemas de ensino/aprendizagem a nível global.

É nesse cenário que Moreira, J. A & Horta, M. J. (2020) nos apresentam o Ecossistema de Educação Digital (EED) que consiste em diferentes ambientes complementares e interconectados de aprendizagem e não apenas nos espaços tradicionais a que estamos acostumados. Como exemplo desses ambientes, temos as instituições de ensino e suas estruturas físicas, plataformas de ensino online, aplicativos, professores, alunos, comunidades de aprendizagem, conteúdo digital, ferramentas de colaboração online que permitem a presença sem estar presente fisicamente e outras tantas possibilidades.

Um EED possui três dimensões: organizacional, pedagógica e tecnológica. A dimensão organizacional é fundamental na condução de uma mudança conjuntural para esse ecossistema educacional digital, tanto no aspecto estrutural, quanto no aspecto de apoio aos professores no desenvolvimento pedagógico de adaptação às novas tecnologias. A tríade organização, professores e tecnologia, viabiliza o novo modelo de educação em espaços, digamos “não tradicionais” em que se faz presente sem estar presente fisicamente. Nesse novo cenário a tecnologia e a inteligência artificial se tornam atores junto com os seres humanos para uma nova relação de ensino/aprendizagem.

Quer saber mais?  Acesse a página Leituras Sugeridas, aqui mesmo neste blog que indico uma apresentação em Webinar com o Prof. José Antônio Moreira, interessantíssima sobre o assunto.

 

Referência:

Moreira, J. A., & Horta, M. J. (2020). Educação e Ambientes híbridos de aprendizagem. Um processo de inovação sustentada. Revista UFG, v.20: e66027

 


sexta-feira, 26 de abril de 2024

Conectividade Significativa

 Um dos pilares do Ecossistema de Educação Digital é o acesso às habilidades e competências digitais das instituições e dos indivíduos.  Para promover uma conectividade significativa das pessoas e das organizações, é necessário avaliar relacionadas à qualidade do acesso, dispositivos disponíveis para uso e habilidades digitais.

Um estudo, publicado pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil – CGI.br, chamado Conectividade significativa: propostas para medição e o retrato da população no Brasil traz um verdadeiro retrato da conectividade no país, considerando dimensões territoriais, sociodemográficas e socioeconômicas, e aferindo a qualificação para o uso da Internet, bem como os tipos de atividades desenvolvidas na rede. O documento revela que, apesar de estar avançando em direção à universalização do acesso, o país ainda tem um longo caminho a percorrer para alcançar uma conectividade verdadeiramente significativa.

Recomendo a leitura do documento que pode ser encontrado no link:

https://cetic.br/pt/publicacao/conectividade-significativa-propostas-para-medicao-e-o-retrato-da-populacao-no-brasil/

quarta-feira, 10 de abril de 2024

Onde acontece a educação? - A visão da Unesco

 



Em um momento em que a humanidade está ameaçada pela fragilidade e limites do planeta, a educação se apresenta como uma tábua de salvação na preparação dos indivíduos para a construção de um futuro justo e sustentável.

Costuma-se pensar na educação como uma instituição especializada que trabalha a uma certa distância da família e da sociedade. É uma forma certa de pensar, pois ao longo do tempo, essa configuração foi útil e necessária para proteger o espaço e o tempo dedicado ao ensino e a aprendizagem coletivos. Foi nesse modelo que nós e grandes nomes da história da humanidade estudaram. Infelizmente essa educação não contemplou todos os indivíduos, ou pelo menos todas as crianças. Um estudo da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura – UNESCO[1], aponta que a baixa alfabetização afeta mais de setecentos milhões de pessoas em todo o mundo.

Na tentativa de corrigir esse déficit educacional, a UNESCO elaborou, por meio de uma consulta global a cerca de um milhão de pessoas, um relatório[2] com a proposta de “ convidar governos, instituições, organizações e cidadãos de todo o mundo a idealizar um novo contrato social para a educação, que nos ajude a construir futuros pacíficos, justos e sustentáveis para todos”. Assegurar a educação de qualidade para todos os habitantes do planeta só é possível por meio de ações coletivas, nesse contexto o relatório pode ser um ponto de partida com propostas, visões e princípios para o esforço conjunto.

Uma das perspectivas propostas no contrato social da Unesco foi a Educação em diferentes tempos e espaços com o objetivo de ampliar oportunidades educacionais que acontecem em diferentes espaços culturais e sociais. Tendo como princípio fundamental que a aprendizagem nunca acaba, a educação deve ser ampliada e fortalecida em todos os tempos e espaços ao longo da vida do indivíduo, onde tudo (a vida social, comunitária, trabalho, lazer, engajamento digital e midiático, etc.)  é oportunidade de aprendizagem.  

Não se trata aqui de abandonar o modelo da escola tradicional, pois esse espaço-tempo é único e necessário para a educação e formação do indivíduo, trata-se de ampliar a visão da educação em todos os espaços e momentos da vida. O desafio é envolver todos os atores necessários para esse esforço coletivo.  Para melhor entendimento, é importante destacar o papel dos Governos e dos Estados que, além de oferecer educação tradicional gratuita e de qualidade, devem garantir os direitos humanos fundamentais como água, saneamento, alimentação, nutrição, proteção, segurança e liberdade, com especial atenção aos excluídos e marginalizados, ou seja, a garantia dos direitos fundamentais contribuem para um ambiente de aprendizagem em muitos contextos. Já o mundo digital deve ser cuidadosamente administrado, oferecendo segurança e proteção aos dados pessoais e institucionais. As plataformas digitais permitem o acesso a um mundo de (in)formação. Indo além, podemos dizer que parques, ruas urbanas, estradas rurais, terras agrícolas, florestas, desertos, etc. também são espaços de aprendizagem em um planeta vivo, onde um estudante se vê frente a problemas comuns que demandam uma educação voltada para propósitos comuns.

Em suma, o relatório da Unesco nos faz refletir sobre a complexidade e amplitude dos espaços educacionais que vão muito além das paredes das instituições e se constituem num continuum ao longo de toda a vida do indivíduo e em todos os espaços ocupados por ele. Recomendo a leitura completa do Relatório para maior aprofundamento.

A consciência de que a educação acontece em uma infinidade de espaços e tempos nos permite uma melhor compreensão sobre a Educação OnLife, defendida por Schlemmer, E., & Moreira, J. A[3]

 

 

 

[1] Unesco. (2017). 758 milhões de adultos não sabem ler nem escrever frases simples. Disponível em https://brasil.un.org/pt-br/75776-unesco-758-milh%C3%B5es-de-adultos-n%C3%A3o-sabem-ler-nem-escrever-frases-simples

 [2] Unesco. (2022). Reimaginar nossos futuros juntos: um novo contrato social para a educação. – Brasília: Comissão Internacional sobre os Futuros da Educação, UNESCO; Boadilla del Monte: Fundación SM.

 [3] Schlemmer, E., & Moreira, J. A. (2020a). Por um novo conceito e paradigma de educação digital onlife. Revista Ufg, 20, 1-35.

Schlemmer, E., & Moreira, J. A. (2020b). Ampliando conceitos para o paradigma de educação digital OnLIFE. Revista Interacções, 16(55), 103-122.

 

terça-feira, 9 de abril de 2024

Mais que Ensino Híbrido, Educação OnLife

 

                                        

O mundo não é mais físico e visível, hoje somos um complexo conjunto de mundos inseparáveis, uma combinação de materiais e informações: um info-mundo. O ambiente em que vivemos deixou de ser físico e passou a ser um território informatizado, acessível a um toque, um mundo feito de dados e de elementos concretos que é capaz de multiplicar as suas formas.

Esse novo espaço de habitação trouxe alterações de paradigmas nas relações sociais, comerciais, mas principalmente no aspecto educacional, onde precisamos mudar (atualizar) o modo de pensar a educação no info-mundo, deixando a Educação Híbrida para um modelo de Educação OnLife.

Enquanto a Educação Híbrida se caracteriza como um método de ensino/aprendizagem que combina atividades offline (modo presencial tradicional) e a aprendizagem online com recursos digitais de uma forma complementar, a Educação OnLife vai além do dualismo presencial e online.

A Educação OnLife percebe a existência de territórios informacionais e comucacionais que alteram nossa percepção de tempo, espaço e presença, muito além dos espaços geográficos. Este modelo utiliza toda a tecnologia disponível incluindo os dispositivos móveis, como ferramentas de aprendizado e comunicação de forma imersiva possibilitando que os estudantes estejam fisicamente em um determinado lugar, podendo serem transportados para outros lugares ao mesmo tempo, aumentando significativamente seu aprendizado.  


Moreira, J. A. ., & Schlemmer, E. (2020). Por um novo conceito e paradigma de educação digital onlife. Revista UFG, 20(26). https://doi.org/10.5216/revufg.v20.63438

     * Foto de Aaron Burden na Unsplash