Em um momento
em que a humanidade está ameaçada pela fragilidade e limites do planeta, a
educação se apresenta como uma tábua de salvação na preparação dos indivíduos para
a construção de um futuro justo e sustentável.
Costuma-se pensar
na educação como uma instituição especializada que trabalha a uma certa
distância da família e da sociedade. É uma forma certa de pensar, pois ao longo
do tempo, essa configuração foi útil e necessária para proteger o espaço e o
tempo dedicado ao ensino e a aprendizagem coletivos. Foi nesse modelo que nós e
grandes nomes da história da humanidade estudaram. Infelizmente essa educação
não contemplou todos os indivíduos, ou pelo menos todas as crianças. Um estudo
da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura –
UNESCO,
aponta que a baixa alfabetização afeta mais de setecentos milhões de pessoas em
todo o mundo.
Na tentativa
de corrigir esse déficit educacional, a UNESCO elaborou, por meio de uma
consulta global a cerca de um milhão de pessoas, um relatório
com a proposta de “ convidar governos, instituições, organizações e cidadãos de
todo o mundo a idealizar um novo contrato social para a educação, que nos ajude
a construir futuros pacíficos, justos e sustentáveis para todos”. Assegurar a
educação de qualidade para todos os habitantes do planeta só é possível por
meio de ações coletivas, nesse contexto o relatório pode ser um ponto de
partida com propostas, visões e princípios para o esforço conjunto.
Uma das perspectivas
propostas no contrato social da Unesco foi a Educação em diferentes tempos e
espaços com o objetivo de ampliar oportunidades educacionais que acontecem em
diferentes espaços culturais e sociais. Tendo como princípio fundamental que a
aprendizagem nunca acaba, a educação deve ser ampliada e fortalecida em todos
os tempos e espaços ao longo da vida do indivíduo, onde tudo (a vida social, comunitária,
trabalho, lazer, engajamento digital e midiático, etc.) é oportunidade de aprendizagem.
Não se trata
aqui de abandonar o modelo da escola tradicional, pois esse espaço-tempo é único
e necessário para a educação e formação do indivíduo, trata-se de ampliar a
visão da educação em todos os espaços e momentos da vida. O desafio é envolver todos
os atores necessários para esse esforço coletivo. Para melhor entendimento, é importante
destacar o papel dos Governos e dos Estados que, além de oferecer educação tradicional
gratuita e de qualidade, devem garantir os direitos humanos fundamentais como
água, saneamento, alimentação, nutrição, proteção, segurança e liberdade, com
especial atenção aos excluídos e marginalizados, ou seja, a garantia dos
direitos fundamentais contribuem para um ambiente de aprendizagem em muitos
contextos. Já o mundo digital deve ser cuidadosamente administrado, oferecendo
segurança e proteção aos dados pessoais e institucionais. As plataformas
digitais permitem o acesso a um mundo de (in)formação. Indo além, podemos dizer
que parques, ruas urbanas, estradas rurais, terras agrícolas, florestas,
desertos, etc. também são espaços de aprendizagem em um planeta vivo, onde um
estudante se vê frente a problemas comuns que demandam uma educação voltada
para propósitos comuns.
Em suma, o
relatório da Unesco nos faz refletir sobre a complexidade e amplitude dos
espaços educacionais que vão muito além das paredes das instituições e se
constituem num continuum ao longo de
toda a vida do indivíduo e em todos os espaços ocupados por ele. Recomendo a
leitura completa do Relatório para maior aprofundamento.
A consciência
de que a educação acontece em uma infinidade de espaços e tempos nos permite
uma melhor compreensão sobre a Educação OnLife, defendida por Schlemmer, E.,
& Moreira, J. A
Schlemmer, E., &
Moreira, J. A. (2020b). Ampliando conceitos para o paradigma de educação digital OnLIFE. Revista
Interacções, 16(55), 103-122.